China lidera ranking global de terras agrícolas
O ranking também reforça o perfil produtivo de algumas potências agrícolas
O ranking também reforça o perfil produtivo de algumas potências agrícolas - Foto: Divulgação
A distribuição global das terras agrícolas ajuda a explicar parte importante da geopolítica dos alimentos e das disputas por produção no século 21. Segundo publicação de Nicolas T., economista francês, a China lidera com folga o ranking mundial de área agrícola, com 5,2 milhões de quilômetros quadrados, superando a soma de Rússia e Canadá.
O levantamento mostra os Estados Unidos em segundo lugar, com 4,1 milhões de km², seguidos por Austrália, com 3,6 milhões, Brasil, com 2,4 milhões, e Rússia, com 2,2 milhões. Índia, Sudão, África do Sul, Nigéria e Argentina completam a lista dos dez maiores. O dado chama atenção porque o imaginário global costuma associar grandes extensões rurais à Rússia e ao Canadá, mas boa parte desses territórios é ocupada por tundra, permafrost e áreas congeladas, o que limita o uso agrícola.
No caso chinês, o peso da agricultura continua elevado. Um quinto da população economicamente ativa ainda trabalha no campo, em um país que também é apontado como o maior produtor e consumidor agrícola do mundo. Esse cenário ajuda a explicar a liderança chinesa em terras aráveis, mesmo com área total inferior à de países com grandes porções improdutivas.
O ranking também reforça o perfil produtivo de algumas potências agrícolas. Os Estados Unidos mantêm protagonismo no milho, enquanto o Brasil se destaca na soja e na cana-de-açúcar. A Austrália, apesar do território majoritariamente árido, aparece entre os líderes e disputa espaço relevante na produção de trigo. Já a Ucrânia, mesmo fora do top 10, segue como ator importante no abastecimento global.
Outro ponto de alerta está na presença africana entre os maiores países agrícolas. Sudão, África do Sul, Nigéria, Etiópia e Tanzânia aparecem em destaque em meio ao avanço da desertificação, ao desgaste dos solos e à erosão causada por superexploração e sobrepastoreio. Com a população africana projetada para dobrar até 2050, a pressão sobre a produção de alimentos tende a crescer.
As mudanças climáticas também devem alterar esse mapa. Regiões hoje congeladas podem se tornar cultiváveis, enquanto áreas atualmente estratégicas podem perder rendimento, em uma disputa cada vez mais central para a economia e para a segurança alimentar.